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Dezembro/2008 –...eppur si muove!


Cerca de um ano atrás (ou um pouco mais...) um conhecido agente da propriedade industrial investiu contra o INPI, asseverando que estaria vivendo o órgão um dos piores períodos de sua existência. 


Recentemente, notamos uma mudança. Outro agente da propriedade industrial, com estreito relacionamento com o anterior, hoje alega justamente o contrário, louvando as melhorias nos métodos, processos, material humano e equipamentos do INPI que, por prepara concurso público para admissão de 126 novos funcionários. 


A equação é bastante óbvia: qualquer órgão público e institucional, para prestar bons serviços, necessita, além de capacitação técnica, de material humano possuidor de distinções compatíveis, e em número necessário para atendimento da demanda existente. 


Ao contrário dos pregoeiros do velho liberalismo, neo para alguns, o Estado é o ponto de equilíbrio da sociedade, e deveria representar o apoio indispensável para seu desenvolvimento, não apenas provendo, ainda conforme os desejos dos nomeados alguns velhos e velhacos, “segurança” para a extensão dos negócios, numa palavra: polícia para os recalcitrantes e exércitos para intimidar idéias “exóticas”, além do Judiciário para superdimensionar os poderes já em si bastante exagerados do capital. 


Hoje, o INPI ainda está em dívida com a sociedade. Mas os brasileiros se satisfazem com pouco, não com o ideal, não com o indispensável ou necessário. Porém, avançamos, e podemos avançar mais.  


De forma curiosa, órgãos da imprensa estão veiculando dúvidas, e até certezas, acerca da morte das doutrinas “liberais”, aquelas em que se baseiam na liberdade de exploração do outro, por supostamente mais frágil, inapto ou francamente estúpido. Não é para tanto. Quando os Bancos Centrais exigem dinheiro público para cobrir furos do mercado financeiro, o que prospera não é a república, mas as empresas que dela se utilizam para manter intactos seus privilégios. 


Mas... eppur se muove!, conforme é atribuído a Galileu Galilei – no entanto, se move! Quando os conhecidos agentes da propriedade industrial e setores representativos da imprensa percebem que é hora de pular para o outro lado, vemos o indício de duas coisas: do velho oportunismo ou da necessidade de adaptação aos novos tempos. Novos tempos: virão? Esperamos que sim, ou como escreveram nas paredes de Paris na comemorada efeméride de 1968: Sejamos realistas, peçamos o impossível.